A verdade sobre as câmeras de cem megapixels nos celulares

Desmistificamos os números inflados de resolução que o marketing usa para esconder sensores pequenos e lentes de qualidade duvidosa.

ANÁLISE

7/2/20262 min ler

As marcas de smartphones adoram estampar números gigantescos nas caixas dos aparelhos intermediários para atrair o consumidor desatento. Prometer fotos com resolução digna de estúdio profissional em um sensor do tamanho de uma unha é o truque de marketing mais velho da era digital. A verdade por trás desses megapixels todos é muito menos espetacular e envolve muita compensação via software para corrigir falhas físicas óbvias.

O tamanho do sensor importa mais

Enfiar cem milhões de pixels em um sensor minúsculo faz com que cada pixel individual receba pouquíssima luz natural do ambiente. Para compensar essa limitação física, o processador do celular precisa recorrer ao pixel binning, combinando vários pontos em um só para gerar uma imagem aceitável. No final das contas, sua foto de resolução gigante acaba sendo reduzida pelo próprio sistema para evitar um ruído visual insuportável em ambientes internos.

Lentes de plástico degradam a imagem

De nada adianta ter um processamento poderoso se a luz passa por um conjunto de lentes de plástico de baixa qualidade antes de atingir o sensor fotográfico. É muito comum encontrar aberração cromática nas bordas das imagens e uma perda acentuada de nitidez quando há luz direta contra a câmera. Esse é o corte de custo que as fabricantes fazem de forma silenciosa para manter o preço final atraente nas prateleiras.

Como escolher sem cair no truque

Ignore os panfletos publicitários e procure sempre pelas especificações do tamanho físico do sensor principal e pela qualidade de construção do vidro das lentes. Uma câmera bem construída de doze megapixels com estabilização óptica real sempre entregará fotos melhores do que um sensor genérico de alta resolução artificial.